Festival de vídeos com gatos

Em Minneapolis (EUA), 10 mil pessoas se reuniram na quinta-feira para assistir filmagens protagonizadas por gatos. Foram 79 vídeos condensados em 75 minutos de projeção. Isso porque alguns são bem curtos. De acordo com o NY Times, já há uma estética do gênero. Final surpreendente e câmera trêmula fazem parte do pacote. O Internet Cat Video Film Festival é apenas uma amostra de um movimento muito maior: os bichanos dominam a internet.

Imagem via Tumblr

A arte na era digital

Recentemente, o caderno Link analisou a cena brasileira da arte digital. Trata-se de uma produção que explora a relação entre tecnologia e cultura.

Especificamente sobre a internet, há criações bastante inventivas que utilizam os recursos do novo meio (net art). O pesquisador Henry Jenkins, autor do livro Cultura da Convergência, tem uma postura de acolhimento em relação ao trabalho realizado por fãs (fan fiction, remix etc.). Entretanto, os exemplos que dá são calcados em grandes expoentes da cultura de massa (American Idol, Harry Potter, Matrix, dentre outros). Embora também ache relevante, questiono se essa criação derivada de outras obras é uma manifestação artística genuína – os fãs usam essas referências apenas para dar vazão à sua criatividade – ou querem expandir um universo que já conhecem, por admirarem essas obras (muitas delas, com um fim “oficial” já decretado).

Particularmente, acho interessante trabalhos culturais que surgem nesse novo ambiente. Podem ser originais; retrabalhar, de forma humorística, virais de sucesso (como as paródias do vídeo David After the Dentist); remixar conteúdo produzido e distribuído por amadores (como as experimentações musicais de Kutiman) ou as mais inusitadas, que questionam os limites da arte (como uma pessoa que colocou seu corpo à venda no site de leilões ebay por se considerar “uma escultura”).

Esse ótimo wiki sobre New Media Art (também chamada de “arte digital”, “Computer art”, “arte multimídia” e “arte interativa”) traz inúmeras informações sobre o assunto. Segundo o texto, que analisa as obras de destaque da década passada até os dias atuais, o advento da internet significou que computadores não são mais apenas ferramentas para manipulação de imagens, criação de convites para galerias e aplicativos. A grande rede se transformou num espaço agregador da comunidade artística internacional, espaço de interação entre artísticas, críticos, curadores, colecionadores, dentre outros entusiastas.

A internet e outras tecnologias diminuíram distâncias geográficas. Artistas das novas mídias muitas vezes trabalham colaborativamente, até porque as obras mais ambiciosas precisam de grande suporte tecnológico, bem como habilidade artística diferenciada, para ser produzida.

Na New Media art, a apropriação (reutilização de ideias alheias) é algo bastante comum. Até porque muitos artistas adotam princípios open source: desejam colaborar com outras pessoas, bem como disponibilizam suas criações para serem retrabalhadas por outros criativos.

Outra vantagem da net art é o barateamento de custos para produzir e divulgar seu trabalho.

Hoje, o movimento está mais consolidado: há galerias online (Variable Media Network), redes sociais específicas (artnetwebRhizome.org) dentre outras formas de acompanhar e debater esses novos caminhos da arte. Um bom compêndio de obras é o livro New Media Art, de Mark Tribe e Reena Jana.

Coletivos (como The Society For Curious Thought), webcomics (trabalhos interativos ou feitos de forma coletiva)… São manifestações que ganharão mais destaque nesse blog na sua “temporada 2010”. Particularmente, quero olhar com mais atenção essa vertente cultural das novas mídias.

Como criar uma websérie de sucesso?

A página Imedia Connection analisa as webséries, cada vez mais utilizadas por empresas para divulgar seus produtos.

Para criar um verdadeiro “show social”, e não apenas emular conceitos da TV, pode-se apostar na interatividade com o público. Não se trata de criar um espaço para comentários. A audiência pode contribuir participando de jogos, quizz e pesquisas; fazendo sugestões sobre os rumos da trama e remixando vídeos.

No Brasil, um bom projeto é o 2012 Onda Zero. Para outras opções, o blog Tecneira listou as webséries mais vistas da internet.