O barulho que o Ecad (não) queria ouvir

Depois da pressão e do tema ter ultrapassado nossas fronteiras, o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) voltou atrás e desistiu de cobrar por vídeos musicais embarcados em outros sites. O Youtube já havia se posicionado contra a cobrança. Muitos juristas também criticaram a postura da instituição.

É difícil justificar a postura do Ecad. Não houve sequer aviso prévio, período de adaptação ou campanha educativa. Partiu-se direto para a cobrança. Como se chegou ao valor cobrado? Tampouco isso ficou claro. O desgate foi inevitável.

Como justificativa, a instituição apregoou que a justiça estava do seu lado. O que pode ser inócuo: outros advogados podem ter uma leitura diversa. Para além da legalidade da ação, a medida revela uma tática pouco hábil para lidar com o público. Uma das recomendações de gerenciamento de risco é justamente não apelar apenas para esse componente da questão, ainda mais quando surge atrelada a dinheiro. O público recebe  isso não como abertura para o diálogo, mas sim como uma tática para impor vontades. Outros seguem para a reflexão: é legal, mas não seria imoral? Ou seja, a polêmica criada e o recuo do Ecad poderiam ser evitados caso se adotasse uma atitude mais prudente.

Como trabalho de relações públicas, é infeliz. Difícil ficar ao lado de ações tão impopulares. Até seus representados, os músicos, não demonstraram apoio. Não querem entrar em atrito com os fãs. Aprenderam com a postura pouco conciliatória que muitos de seus pares adotaram em relação ao Napster.

Mesmo que estivesse com todo o respaldo jurídico… A medida veio num período complicado para a entidade. Ela deveria estar trabalhando para esclarecer polêmicas nas quais está envolvida (mais no vídeo abaixo) e defender sua causa. Afinal, um nova lei de direitos autorais está sendo debatida no Brasil.

O Ecad clama pelo que está posto, sendo que estamos numa fase de transição. A legislação não é estanque, ela acompanha os novos rumos da sociedade. Ao ir atrás de pequenas somas, o Ecad conseguiu solidificar e ampliar o movimento que o contesta. Sua medida truculenta virou exemplo de excesso a ser combatido na reforma dos direitos autorais. O Senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que preside a CPI do Ecad, classificou como censura o mais recente movimento da entidade. Deve ser apenas o começo.

Vamo batê lata, tonel, garrafa d’agua
Vamo batê no pulso da artéria da rua
Vamo batê palma até de madrugada
Vamo pr’aquela praça da verdade nua

(Vamo batê lata, Paralamas do Sucesso)

No dia 26 desse mês, às 10h, ocorre em São Paulo a última audiência pública da CPI do Ecad. Ainda falta definir o local. Independente do endereço, o barulho dos atividades digitais deve ser ouvido por lá.

Fiscais do ciberespaço x ativismo digital

Memeboards produzidos pelo blog Não Salvo inspirados em comentários que rolaram nas mídias sociais. O Ecad defende a cobrança de blogs por vídeos do YouTube.

Liberdade, anonimato, direitos autorais, privacidade… Essas questões dominam o começo de 2012. “Como lidar com as forças de poder que regulam a internet e controlam o que as pessoas podem ou não fazer na rede?” Buscar um novo “contrato social” para o ciberespaço, envolvendo governos, companhias e cidadãos, ganha ares de urgência.

A Free Internet Act (FIA), projeto colaborativo debatido via Google Docs, é um exemplo criativo e democrático de buscas de novas propostas. A FIA propõe a criação de legislação internacional sobre os direitos dos usuários da internet. A edição do texto segue um dos preceitos defendidos: usuários podem se manifestar de forma anônima.

Um ano de links

 

O game designer Tom Armitage reuniu num livro físico seus sites favoritos. Ele vem montando essas “enciclopédias pessoais” desde 2004. Cada link é representado com o título, URL, descrição e tags. Também há código QR. É só apontar seu celular que será encaminhado para o site.

Interessado? Armitage entrega o código que usou no projeto.

Expressão audiovisual descentralizada

Essa ideia expressa pelo Godard de que o cinema morreu diz respeito a uma ideia específica de cinema. E mesmo esse cinema não morreu. Ele continua fazendo muito sentido, produzindo obras incríveis. A questão é que ele compete hoje com muitas outras práticas de expressão audiovisual. O que ele vê como “morte” é apenas um deslocamento: o “cânone” ocupa mais um lugar central, ele muda de posição, passa a conviver com outras formas, fica descentralizado. Mas mesmo assim, dentro dessa nova posição, não significa que tenha perdido vigor. Nunca se produziu tantos filmes ou tanta música. Esse momento atual representa também uma explosão de criatividade.

Ronaldo Lemos

Tudo é remix: a falha do sistema

A última parte de Everything Is a Remix, uma série sobre cultura digital. O quarto episódio aborda como nosso sistema legal não reconhece a natureza derivativa da criatividade. Num novo cenário, em que as ideias estão cada vez mais interligadas, esse sistema mostra-se ultrapassado.

Kirby Ferguson já pensa no seu novo projeto, This is Not a Conspiracy Theory. Você pode ajudá-lo: