Girl Walk / All Day

Primeira parte de Girl Walk / All Day, conjunto de clipes para divulgar o novo álbum de mash-up do misturador Girl Talk (aka Gregg Gillis). O objetivo é ir além do vídeo musical tradicional, que normalmente abrange uma única faixa.

Por isso, essa saga de três dançarinos segue por 12 curtas, todos disponíveis online. Filmado em Nova York, o projeto foi financiado via Kickstarter. A obra, que ganhou uma bela descrição em formato linha do tempo, deve ser exibida como longa em espaços públicos.

Quadrinhos digitais

Há algum tempo, a Folha soltou uma matéria sobre como a indústria de quadrinhos está adotando, cada vez mais, a distribuição digital.

Mas como a mudança na forma como as hqs são feitas e comercializadas afeta a nona arte? Esse é mais um cenário para puristas e os novidadeiros defendem com afinco suas posições.

O LA Times explorou esse tema. Há quem defenda que o acréscimo de efeitos de animação e som ameaçam a estética das hqs, além de colocar em risco a sobrevivência das lojas de quadrinhos. Outros dizem os meios digitais colaboram trazendo novos leitores, além de propiciar inovações narrativas.

Alheios a essa disputa, muitos utilizam a web também para criar comics. O Pixton é só um dos recursos disponíveis (vídeo explicativo abaixo). Já os desenhistas pouco talentosos podem optar pelo MakeBeliefsComix.com.

Mas se você prefere a versão em papel, aqui vão algumas dicas para conservar sua coleção.

Aplicação de jogos corporativos

[…] É possível extrair ingredientes muito interessantes dos jogos que podem ser identificados em certos comportamentos no ambiente de trabalho. As evidências que temos é que eles deixam as pessoas mais engajadas. Muitas das tarefas que as pessoas realizam hoje são pesadas e repetitivas. Por isso, é difícil para elas enxergarem um propósito maior naquilo que estão fazendo. Os jogos incentivam a produtividade, no sentido de que neles as pessoas sabem exatamente de que forma estão contribuindo para o todo, para a realização de um objetivo maior.
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No jogo você tenta, tenta e tenta de novo. Uma característica dos videogames difícil de se conseguir no mundo corporativo é que neles você tem um feedback instantâneo e permanente. No trabalho, o retorno sobre o que você faz pode aparecer só no fim do trimestre, do semestre ou do ano.
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No jogo, é possível saber claramente qual é a minha responsabilidade e a minha participação no sucesso do todo. Sei exatamente o que eu fiz para que as coisas funcionassem e sou reconhecido por isso. Sinto-me, dessa maneira, parte da história. Isso é algo extremamente valioso e que as organizações deveriam usar em seu favor.

Byron Reeves, codiretor do H-Star Institute (Human Sciences and Technologies Advanced Research), no Valor.

cinema pós-industrial

“Em contraposição ao modelo dos polos de produção – grandes centros que concentram uma infraestrutura cinematográfica baseada em estúdios de produção -, a acessibilidade das tecnologias digitais apontou para um modo de produção baseado em redes, em que pequenos nódulos de produção são interligados através de relações fluidas, baseadas na flexibilidade e no dinamismo dos novos modos de produção. Existe, portanto, uma multiplicação de pequenos átomos de produção, gerando um acentramento dos processos de produção. Enquanto os polos se baseiam numa concentração geográfica, que geraria economias de escala e de escopo (Hollywood, Vera Cruz, Projac), as redes se estabelecem através de relações dinâmicas, de baixo custo e alta flexibilidade. Reduzindo enormemente os custos fixos, este modelo alternativo de produção se estrutura através da circulação dessas obras, possibilitada especialmente pela internet (YouTube, Vimeo) e pelos circuitos de difusão não-comerciais (cineclubes, festivais, itinerâncias). Ou ainda, em contraposição a um modelo de produção industrial, existe um cinema pós-industrial, conforme a expressão utilizada por Cezar Migliorin, realizado em regime colaborativo, à margem dos sistemas oficiais de legitimação.”

Marcelo Ikeda, crítico e pesquisador

O barulho que o Ecad (não) queria ouvir

Depois da pressão e do tema ter ultrapassado nossas fronteiras, o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) voltou atrás e desistiu de cobrar por vídeos musicais embarcados em outros sites. O Youtube já havia se posicionado contra a cobrança. Muitos juristas também criticaram a postura da instituição.

É difícil justificar a postura do Ecad. Não houve sequer aviso prévio, período de adaptação ou campanha educativa. Partiu-se direto para a cobrança. Como se chegou ao valor cobrado? Tampouco isso ficou claro. O desgate foi inevitável.

Como justificativa, a instituição apregoou que a justiça estava do seu lado. O que pode ser inócuo: outros advogados podem ter uma leitura diversa. Para além da legalidade da ação, a medida revela uma tática pouco hábil para lidar com o público. Uma das recomendações de gerenciamento de risco é justamente não apelar apenas para esse componente da questão, ainda mais quando surge atrelada a dinheiro. O público recebe  isso não como abertura para o diálogo, mas sim como uma tática para impor vontades. Outros seguem para a reflexão: é legal, mas não seria imoral? Ou seja, a polêmica criada e o recuo do Ecad poderiam ser evitados caso se adotasse uma atitude mais prudente.

Como trabalho de relações públicas, é infeliz. Difícil ficar ao lado de ações tão impopulares. Até seus representados, os músicos, não demonstraram apoio. Não querem entrar em atrito com os fãs. Aprenderam com a postura pouco conciliatória que muitos de seus pares adotaram em relação ao Napster.

Mesmo que estivesse com todo o respaldo jurídico… A medida veio num período complicado para a entidade. Ela deveria estar trabalhando para esclarecer polêmicas nas quais está envolvida (mais no vídeo abaixo) e defender sua causa. Afinal, um nova lei de direitos autorais está sendo debatida no Brasil.

O Ecad clama pelo que está posto, sendo que estamos numa fase de transição. A legislação não é estanque, ela acompanha os novos rumos da sociedade. Ao ir atrás de pequenas somas, o Ecad conseguiu solidificar e ampliar o movimento que o contesta. Sua medida truculenta virou exemplo de excesso a ser combatido na reforma dos direitos autorais. O Senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que preside a CPI do Ecad, classificou como censura o mais recente movimento da entidade. Deve ser apenas o começo.

Vamo batê lata, tonel, garrafa d’agua
Vamo batê no pulso da artéria da rua
Vamo batê palma até de madrugada
Vamo pr’aquela praça da verdade nua

(Vamo batê lata, Paralamas do Sucesso)

No dia 26 desse mês, às 10h, ocorre em São Paulo a última audiência pública da CPI do Ecad. Ainda falta definir o local. Independente do endereço, o barulho dos atividades digitais deve ser ouvido por lá.