Código aberto para a inovação

Ao invés do estereótipo do geek introvertido, um desenvolvedor curioso que investe na contribuição. Assim é a comunidade do código aberto, na qual a colaboração é essencial para a evolução dos projetos.

É o que prega o site Mashable. Além de investigar as características dos desenvolveres de código livre, o texto entrega também como ocorrem esses processos colaborativos.

De acordo com o Mashable, a dinâmica de desenvolvimento de software open source é profundamente social. Algumas das principais doutrinas de código aberto são a transparência, colaboração e meritocracia.

Mesmo os desenvolvedores que trabalham em pequenos projetos precisam contar com a ajuda de outras pessoas. Praticamente todas as novas ações de código aberto derivam de criações anteriores.

Hoje, há mais de 500 mil iniciativas de código aberto na internet. Engana-se quem pensa que os preceitos open source são adotados apenas em projetos de tecnologia. Hoje, essa ideologia pode ser vista na arte, na busca de soluções corporativas (inovação aberta) e na gestão de marcas (Pappagallis).

Creative Commons: flexibilize seus conceitos

O maior benefício está no ciclo de inovação. Os primeiros consumidores de um produto serão os mais intensos usuários. Ao ouvir um consumidor sobre como ele usa esse produto, você aprenderá muito mais rápido a se reinventar e se adaptar do que se ouvisse apenas sua equipe. O que aprendemos com as empresas que usam essa estratégia é que muitas vezes o especialista não trabalha para você. Na maior parte do tempo, a pessoa mais esperta usando o seu produto ou serviço é um dos seus consumidores. E começar essa relação desde cedo o ajudará a conseguir esse tipo de insight.

Lawrence Lessig, advogado e criador do Creative Commons, fala sobre as vantages da colaboração entre empresas e consumidores.

Creative Commons é uma proposta de flexibilização e não extinção do direito autoral. Ao invés do restritivo “All Rights Reserved” (Todos os direitos reservados), você define o modelo de cessão escolhendo em que situações sua obra pode ser usada por outros: comercialmente, se é possível fazer cópias e distribuir, se outras pessoas podem modificá-la (edição) etc.

A propriedade intelectual ainda é sua. Entretanto, ao invés da necessidade de autorização caso a caso, como ocorre no tradicional “copyright”, o autor já diz para o mundo como sua obra pode ser utilizada.

Isso cria novas formas de remunerar e espalhar a criação artística. Cobra-se de quem pode pagar, como empresas, e libera o uso gratuito para outros. Desde que divulgue a autoria.

Algumas pessoas podem dizer: “Ah, mas isso já está previsto nas leis”. Sim, pode ser. Mas o Creative Commons, por não estar vinculado a uma bandeira específica, se torna um selo global. Ou seja, cria-se uma linguagem mundial dos direitos autorais. Você não precisa ser jurista ou saber como funciona a lei em um país específico.

Apoio de grife? Quem são os bons defensores de causas sociais?

Tuítes de celebridades não bastam. De acordo com estudo realizado pelas empresas Zoetica Media e PayPal, elas não são as mais indicadas para conseguir doações.

Os melhores resultados não surgem do apoio esporádico, mas sim da participação duradoura. As pessoas admiram isso. Expô-las a porta-vozes engajados, comprometidos com a causa e que têm histórias pessoais para compartilhar, é o que motiva a participação do público.

Isso pode ser observado no site Six Degrees, de Kevin Bacon. Trata-se de uma rede de caridade que permite aos usuários doar diretamente para suas causas favoritas e verificar que instituições de caridade outras pessoas, incluindo celebridades, estão apoiando.

Um concurso lançado pelo site para premiar as instituições de caridade mais bem-sucedidas em levantar dinheiro revelou que, apesar da participação de celebridades, as pessoas mais eficientes para captar recursos são desconhecidas do grande público. São os apoiadores que estão vinculados a causas específicas, instituições de caridade etc.

É o caso de Ali Edwards, mãe de filho autista, que atraiu 2313 doadores. Ao todo, conseguiu $ 47.849 para a Autism Speaks. Para isso, ela compartilhou sua missão com seus leitores e postou atualizações constantemente em seu blog sobre scrapbooking.

Passo Torto (na indústria fonográfica)

 

A ação entre amigos (Romulo Fróes, Kiko Dinucci, Rodrigo Campos e Marcelo Cabral) resultou num disco que pode ser baixado gratuitamente. Partem do samba em busca de novas possibilidades para a música brasileira. O resultado? Escuta aqui.

O lançamento ganha o mundo (virtual) hoje. Iniciativas como essa, que estão em descompasso com ideias arcaicas defendidas por conglomerados de entrenimento, merecem ser apoiadas. Até porque essa temática focada em repressão e não na busca de soluções encontra eco ainda hoje, vide a nova lei norte-americana SOPA (“Stop Online Piracy Act”). Então, faz barulho no Twitter e no Facebook.

 

Audiovisual: novas formas de financiamento, produção e distribuição

Acima, um guia de crowdfunding para financiamento de filmes.

Essa é apenas uma das abordagens plurais que podem ajudar o processo criativo. Cada vez mais, cineastas iniciantes ou independentes formam coletivos (infográfico no final do post). Há rodízio criativo na equipe. Num momento, um técnico atua como diretor de fotografia. Noutro filme, assume a direção.

A  distribuição, outro gargalo do cinema nacional, também busca novos rumos. O Circuito Fora do Eixo, que reúne 70 coletivos espalhados pelo Brasil, tem como meta fazer a nova produção circular.

O curta-metragem pernambucano Do Morro?, de Mykaela Plotkin e Rafael Montenegro, é um exemplo de filme que busca alternativas para chegar ao público. A obra investiga a ascensão do cantor popular João do Morro.

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‪Democracia 4.0‬: sistema mais justo, proporcional e participativo

O movimento ‪Democracia 4.0‬ propõe uma mistura do sistema representativo com a democracia direta. Com isso, a população poderia participar das decisões que afetam diretamente o país.

Trata-se de um sistema proporcional: há hoje 350 cadeiras no Congresso espanhol. A cada cem mil habitantes que votassem on-line, um assento voltaria para o povo. A decisão seria computada de acordo com a escolha das pessoas. Um milhão, dez lugares destinados aos cidadãos. Maiores de idade estariam aptos a contribuir, via internet.

Cada um participa do projeto de seu interesse. Como o voto não seria obrigatório, a participação iria variar. Ou seja, não há transferência total de responsabilidade: os deputados participam dos trabalhos. O peso deles e da população é decidido caso a caso.

Há também uma espécie de recall, o veto cidadão.

Outro vídeo de protesto espanhol é o ‪La Resta de Todos, que denuncia o desmanche das escolas públicas do país.

(i)mobilidade social

A maior parte das pessoas no Ocidente desenvolvido dizem que o que acontece na África não tem nada a ver com elas. Veem filmes na África e pensam: ‘O que isso tem a ver comigo?’
Quando meu produtor me falou dos minérios de conflito, topei na hora. Vi aí uma grande chance de mostrar como estamos todos conectados. Como nosso modo de vida depende do sofrimento de outras pessoas.

O cineasta Frank Poulsen explica porque decidiu fazer o filme Blood In The Mobile (trailer abaixo). O documentário mostra como é realizada a extração de metais para celulares, processo comandado por homens armados. Há mais: crianças e adolescentes são utilizados como mão-de-obra. Não há água potável.

Para mudar essa realidade, iniciativas buscam tornar mais transparente as etapas de produção de produtos eletrônicos. É o caso da campanha Make IT Fair (For People Everywhere).


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monotasking

Esse comportamento, comum no multitasking, estilo dos que desempenham várias tarefas ao mesmo tempo, começa aos poucos a ceder espaço a um estilo oposto: o monotasking. Ou seja: concentrar em uma coisa de cada vez com a intenção de fazer tudo bem feito, de preferência passando algum tempo longe das distrações da internet. “É uma contra-tendência, uma antítese ao excesso de informação e estímulos que vivemos”, diz Linda Stone. Para essa ex-executiva da Apple e Microsoft e uma das maiores estudiosas de atenção humana hoje, estamos deixando a era da Atenção Parcial Contínua (CPA, em inglês), em que prestamos um pouco de atenção a várias coisas o tempo inteiro, para entrar na era do unifoco, em que de fato nos concentraremos nos que estamos fazendo no momento. “Tudo que é escasso se torna valioso. A nova escassez é ter tempo para pensar e se concentrar”, afirma Henry Manson, chefe de pesquisa da agência de tendências de consumo Trendwatching, uma das maiores do mundo. “Vivemos uma aceleração do tempo: tudo tem que ser rápido, imediato. Mas não se pode ter inovação sem períodos de reflexão e preguiça”, diz a filósofa Olgária Matos, professora da USP.

Da revista Galileu. Dá para conferir um trecho online.